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Zona Habitacional PDF Imprimir e-mail
Escrito por Administrator   
26-Mar-2007

 Chegando ao início da calçada , podemos subir ao pequeno morro no cimo do qual está a Capela de S. Brás que no século XVI foi construída, ao que se sabe, sobre parte das ruínas de Miróbriga. Regressemos então à calçada romana.

Ao descermos ao longo desta zona habitacional atrás referida, podemos observar mais habitações, quer à sua esquerda , quer à sua direita.

Pelas características particulares da sua topografia e do urbanismo de Miróbriga, assente num povoado fortificado da Idade do Ferro, não é possível encontrar qualquer indício de um crescimento definido a partir de eixos viários principais - cardo e decumanus -, como é comum nas fundações latinas de plano ortogonal ou linear. No entanto, os arruamentos conhecidos permitem-nos delinear o espaço ocupado por algumas das insulae, ou quarteirões, da cidade onde se instalaram os edifícios privados e definir os percursos de acesso a alguns dos seus edifícios públicos, como é o caso do forum e as termas ou balnea.

O forum deveria ser envolvido por uma rede viária que constituía como que uma espécie de “circunvalação”, permitindo o crescimento do casario em anéis concêntricos que, a alguns níveis, mais lembram algumas malhas urbanas medievais.

As longo dessas calçadas, e entre elas, desenvolviam-se os quarteirões onde se implantavam  as áreas comerciais e habitacionais. A maioria desses quarteirões estão apenas relativamente clarificados, como acontece na zona por onde se faz actualmente a entrada nas ruínas. Aqui, uma ampla calçada estrutura uma das áreas habitacionais, que se desenvolve quer para Norte quer para Sul da mesma. Do lado sul constata-se que as casas se adaptam à pendente e que os desníveis são vencidos através de grandes escadas que permitem o acesso pedonal à via. Muito possivelmente, numa zona mais baixa, se desenvolveria uma outra que poderia fazer a ligação, mais a Sul, às termas.

Continuando pela via inicialmente referida, na direcção do Forum, chega-se a um ponto onde a calçada se ramifica, permitindo, o acesso ao mesmo, a Este; aos quarteirões que se desenvolviam do seu lado norte e ainda às termas, a Sul.

Junto às termas verifica-se um caso semelhante de bifurcação, porque, por um lado a calçada acede directamente aos balnea e, por outro, inflecte no sentido de Nordeste, onde poucos vestígios restam, mas que, muito possivelmente, viria a articular uma segunda plataforma que circundava, do lado sul e este, o forum.

Junto às tabernae que se desenvolvem a Sul do forum, vencendo também uma enorme pendente, é visível uma calçada que também deveria fazer uma circunvalação à zona central da cidade.

Todos os troços de calçadas conhecidos são construídas com grandes lajes assentes directamente no afloramento xistoso ou sobre o solo, e carecem de qualquer tratamento para a sua colocação ou seja statumen e rudus. Medem, em média, aproximadamente 10/11 pés (aprox. 3m) de largura. Em alguns pontos, essas calçadas apresentam rebordos laterais isolados com opus signinum, nomeadamente na que desce em direcção às termas. Julgamos que a sua funcionalidade poderá estar relacionada com a impermeabilização na zona da entrada das tabernae e das habitações, que se situam ao longo desta via, que vence uma grande pendente.

Noutros casos, ao longo das calçadas, foram construídas as condutas dos esgotos com um aparelho irregular, opus incertum, pavimentadas com materiais cerâmicos de construção, como acontece junto à “área habitacional”, na entrada actual das ruínas, e do lado sudoeste do forum, onde apenas restam alguns vestígios da via pública. Estes esgotos seriam cobertos, se bem que actualmente não existam quaisquer vestígios dessas coberturas.

Com segurança apenas se conhecem algumas habitações das muitas que devem ter existido no núcleo urbano de Miróbriga. No entanto, são visíveis, de um lado e do outro da calçada que se encontra logo à entrada actual das ruínas, várias insulae, cujos dados arqueológicos permitem apontar para uma ocupação sucessiva  entre o século I d. C. e IV d. C, algumas das quais com compartimentos decorados a fresco.

  Apesar do conhecimento incipiente das zonas habitacionais que se desenvolvem nessa área, pode-se verificar que os quarteirões ou insulae são de métricas diferentes, em função das ruas e dos acessos públicos, variando entre 25 a 30 m. As escadarias que se desenvolvem a Sul da via anteriormente referida delimitam claramente insulae, em torno das quais se pode ainda ver o respectivo sistema de esgotos.

Algumas destas construções tinham água canalizada, como se pôde verificar durante os trabalhos de limpeza e de restauro efectuados na “casa com frescos”, do lado direito da calçada. Junto à entrada havia um pequeno tanque, possivelmente de aprovisionamento de água que era conduzida por uma tubagem de chumbo.

A Este desta construção, ao longo da via, quer do lado norte quer do sul da mesma, são visíveis vários muros dispersos, devendo, possivelmente, tratar-se de habitações. No entanto, como todos eles foram postos a descoberto, em anteriores trabalhos arqueológicos, através de valas abertas junto aos mesmos, nada se pode concluir, porque nenhuma planta está clarificada.

Mais a Oeste, do lado norte da via, localiza-se uma domus, ou casa de grandes dimensões, cujos compartimentos se desenvolvem em torno de um átrio. Este átrio tinha uma zona coberta, como o comprovam a concentração de telhas no local e os entalhes definidos no afloramento xistoso que deveriam servir para apoiar o telhado.

O pavimento da zona circundante do átrio era revestido com um formigão, opus signinum, ainda visível em alguns pontos. Na zona central, subdividida num segundo momento da ocupação da casa,  deveria ter existido, possivelmente,  uma zona ajardinada.

Os pavimentos das salas que se desenvolvem em seu redor deveriam ser feitos com traves de madeira, pois não existe qualquer vestígio de revestimento e o afloramento xistoso é bastante irregular, o que aliás deveria acontecer em muitas das residências localizadas nesta área. Os buracos circulares escavados no xisto distribuídos sem qualquer aparente regularidade, contribuem para colocar a hipótese de se tratar dos encaixes para as traves de madeira. Sob o pavimento existiria uma conduta construída com telhas ou imbrices encaixados uns nos outros, que escoava para a rua. À entrada da casa existia um pavimento em opus signinum, que permitia um acesso mais confortável e higiénico à mesma.

De salientar que a planta desta casa recentemente escavada é paralela à da capela de S. Brás, edificada, a Noroeste, ao lado e sobre estruturas romanas, que possivelmente deveriam ter pertencido ao mesmo conjunto ou programa urbanístico.

 

Actualizado em ( 10-May-2007 )
 
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