800x600 1024x768 Navigation:    Home seta Visita Virtual seta Termas
Termas PDF Imprimir e-mail
Escrito por Administrator   
02-May-2007

Aproveitando a depressão natural do terreno, que ajuda à captação e à concentração das águas pluviais, os romanos instalaram, numa das zonas mais baixas da cidade e ligeiramente afastadas da zona central, umas termae publicae ou balnea .

Constituídas por dois edifícios, de construção não muito distante no tempo e que se adossam, maximizando, desse modo, algumas das suas infra-estruturas, este complexo de estrutura dupla foi edificado na zona sudoeste do aglomerado urbano, ocupando as estruturas actualmente postas a descoberto uma área aproximada de 1.100m2.

Os edifícios que as compõem são as “Termas Este”, as primeiras a ser edificadas no século I d. C., e as “Termas Oeste”.

Várias situações de articulação entre os dois edifícios, nomeadamente toda a estrutura dos esgotos, fazem-nos admitir a hipótese de que os mesmos possam ter tido praticamente um projecto contemporâneo.

As “Termas Este”, construídas a uma cota mais baixa, são acessíveis por uma calçada muito íngreme que serve os dois edifícios termais. Estão como que praticamente encravadas na rocha,  tendo sido necessário escavar e/ou aplanar o afloramento xistoso para as edificar.

Este edifício é de menores dimensões do que as “Termas Oeste”, ocupando, no entanto, uma área maior do que a actualmente posta a descoberto (aprox. 400m2), como aliás é fácil deduzir pela sua planta e pelos muros que são parcialmente visíveis junto ao talude do lado sul.

A entrada nas “Termas Este” faz-se descendo inicialmente dois degraus, que se situam junto aos que conduzem às “Termas Oeste”. Continua-se a descer através de uma calçada em declive até à porta de entrada.

Através desta porta acedia-se, através de dois degraus revestidos a opus signinum a uma zona porticada coberta que deveria circundar uma pequena palestra (?). O pavimento era também aí revestido com opus signinum, ainda praticamente intacto em vastas áreas.

À sua volta desenvolve-se um corredor que, inflectindo para o lado sul das termas, dá acesso a um compartimento de função desconhecida e a outros que ainda não foram escavados, sendo também visíveis, em alguns pontos, os muros que deveriam servir de limite ao edifício.

Do seu lado norte, desenvolve-se um longo compartimento que conduzia, quer às zonas aquecidas, quer ao frigidarium e respectiva piscina. A todo o comprimento desse compartimento, com funções de apodyterium, existe um banco revestido a opus signinum, utilizado pelos utentes das termas. Este longo corredor era decorado com frescos, como ainda se pode verificar em alguns pontos.

Do lado esquerdo da entrada havia uma construção circular, localizada a uma cota ligeiramente mais alta do que o pórtico, que deveria tratar-se também de um compartimento com funções de apodyterium. Este compartimento era fechado por uma porta, à qual se acedia através de um degrau.

Do apodyterium alongado poderia passar-se directamente ao frigidarium e à piscina. Ainda integralmente revestida, na sua parte inferior, com opus signinum, apresenta, superiormente, uma decoração com pinturas a fresco.

Do lado sul do frigidarium havia uma porta por onde se entrava no tepidarium e no caldarium. Nestes compartimentos providos de hipocaustum com suspensurae, existem três alvei. Junto à zona do praefurnium detectou-se uma enorme concentração de cinzas provenientes da fornalha, confirmando a identificação do compartimento localizado no limite este do edifício.

 As “Termas Oeste”, genericamente em melhor estado de conservação, têm uma forma rectangular e se bem que não totalmente escavadas, podem ser consideradas como um dos bons exemplos dos balneários das províncias ocidentais .

  O edifício, construído quase na íntegra em opus incertum, apresentava na fachada, mais cuidada, grandes silhares rusticados, cuja utilização parece apontar para o período neroniano ou pós-Nero. O acesso fazia-se por uma calçada muito íngreme que servia os dois edifícios .

A entrada fazia-se descendo três degraus, que permitiam aceder a uma cota inferior. Nas extremidades do primeiro degrau havia três altas colunas cilíndricas que não se encontram actualmente in situ, tratando-se das que foram levadas por D. Fernando de Almeida para o Forum, aquando da sua reconstrução.

Ao nível inferior, onde se implantava o edifício, podia-se entrar directamente para  a zona da latrina, que era fechada por uma porta, atendendo à soleira que ainda aí se encontra.

À frente dos degraus localizava-se também uma porta de grandes dimensões, como se pode concluir pela soleira ainda in situ. Era através desta porta que se acedia a uma ampla sala de entrada ou uestibulum, que tinha em anexo dois compartimentos mais pequenos, possivelmente com funções de apodyteria.

O pavimento do uestibulum era revestido com placas de calcário dolomítico e possuía lambris a toda a volta, situação que é praticamente comum a todo o edifício.

Nessa sala, edificada genericamente em opus incertum, foram também utilizados grandes silhares aparelhados junto à ombreiras das portas, nomeadamente as que ligam o uestibulum aos apodyteria e ainda ao frigidarium.

Os grandes silhares de opus quadratum que deveriam marcar alguns dos ângulos do edifício, ou cunhais, eram também revestidos, porque são visíveis os orifícios onde eram presas as placas nas ombreiras.

Ainda no vestíbulo há uma zona nichada, onde poderia ter sido colocado algum elemento escultórico.

Depois do uestibulum acedia-se através de duas entradas ao frigidarium. Este compartimento tem uma forma rectangular, existindo nos topos duas piscinae, uma como que formando um nicho, e outra bastante mais funda, de forma praticamente quadrangular, que quase se poderia tratar de uma pequena natatio. Nessa piscina existiam degraus interiores, que deveriam ser parcialmente submersos, e um sistema de escoamento para a latrina.

Dessa sala havia uma passagem para um compartimento com um hipocausto com suportes verticais - pilae, que possivelmente se trataria de um sudatorium com ligação directa ao praefurnium .

Posteriormente passava-se ao tepidarium, dotado de suspensurae e hypocaustum construído com arcos de tijolos argamassados e ainda salas dotadas de paredes duplas, que permitiam manter os compartimentos aquecidos, edificadas em opus testaceum.

O caldarium de forma praticamente quadrangular, tinha dois alvei de diferentes dimensões, sendo o de topo absidiado dada a necessidade de concentrar o vapor e o ar quente necessários. Ambos os alvei apresentam no fundo canos de chumbo que escoavam para o sistema de evacuação das termas. O caldarium estava virado a Sudoeste para aproveitar  o calor da  tarde. A Este situava-se o praefurnium e as áreas de serviço.

As suspensurae das zonas aquecidas assentavam nos arcos do hipocausto. O pavimento de circulação dos utentes era revestido com opus signinum, sobre o qual  foram colocadas lajes calcárias. O chão do hipocausto utilizava também tijolos rectangulares.

Algumas das salas absidiadas do tepidarium e do caldarium tinham janelas viradas a Poente para um pátio ou pequena palestra (?) que circundava desse lado o edifício, permitindo o arejamento das salas aquecidas. Ao pátio, que eventualmente teria uma função semelhante a um solarium, dada a sua localização, podia-se aceder apenas pelo interior da construção, através de uma porta existente a Noroeste do uestibulum.

O pátio, pavimentado a opus signinum, desenvolvia-se até ao muro que delimitava a Oeste as termas, numa situação de algum modo semelhante ao que acontecia nas “Termas Este”. As arestas eram interiores eram revestidas com meias canas salientes. Uma conduta subterrânea, paralela à que existe do lado nascente das “Termas Oeste”, corria ao longo desse pátio, sendo ainda visíveis alguns dos seus respiradores.

A maioria dos compartimentos das “Termas Oeste” era revestida de placas calcárias, quer no pavimento, quer nas paredes, permitindo uma fácil manutenção do edifício. As placas eram fixadas à parede através de “gatos” metálicos como ainda recentemente, em acção de consolidação e restauro na  piscina do frigidarium das “Termas Oeste”, se pode verificar.

Teríamos, pois, os muros construídos em opus incertum, com revestimento a opus signinum, no qual eram presas as placas calcárias com espigões de cobre ou de bronze.

Recentemente foi posto a descoberto, sob os empilhamentos de pedras de anteriores escavações, um reservatório construído em opus incertum e revestido na parte interior com opus signinum, com meias canas revestindo as arestas do fundo, para permitir que o mesmo fosse totalmente estanque. Edificado num ponto alto, por cima do local onde se adossam os dois complexos termais, devia garantir o abastecimento temporário de água às termas. Possivelmente este reservatório seria coberto para garantir a limpeza da água e dificultar a evaporação da mesma.

Uma conduta ou esgoto geral abobadado, construído em pedra calcária, que se dividia em vários ramais, circundava todo o complexo termal e evacuava as águas para uma cloaca, ainda visível junto à ponte. Quer o sistema de evacuação das termas, quer a cloaca estão ainda em bom estado de conservação, tendo sido apenas consolidado em alguns pontos. Para esse sistema eram também despejadas as águas de várias das piscinas ou alvei das termas. Esse escoamento fazia-se através de canos de chumbo que ainda se encontram in situ no interior dos alvei do caldarium e na piscina ou natatio do frigidarium das “Termas Oeste”.

O fornecimento de água deveria ser, contudo, reforçado por uma fonte existente nas proximidades, como se pode deduzir pelo canal que permitia a adução da água pelo lado sul do reservatório ou natatio (?) cuja escavação se iniciou em 1992.

Esse reservatório era construído em opus incertum revestido de opus signinum, com várias camadas. No fundo da mesma existe também uma meia cana saliente.

 


Actualizado em ( 14-Jun-2007 )
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
 

Pesquisas de Património

    
   
 
 
Temos 1 visitante em linha
Membros: 3106
Notícias: 59
Favoritos web: 47
Visitas: 564032