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As espécies animais e vegetais de Miróbriga e referências das mesmas na literatura latina PDF Imprimir e-mail
Escrito por Maria Filomena Barata   
25-May-2007

Pretendeu-se com este trabalho, a partir das espécies animais e vegetais actualmente existentes em Miróbriga, fazer um levantamento das referências existentes às mesmas na literatura latina e ainda tentar encontrar associações com as divindades romanas. Pese o trabalho ainda não se encontrar concluído, não posso deixar de o partilhar, na esperança que um dia ele seja continuado.

ID

Entidade

Divindade relacionada

Referências Bibliográficas

Autor

Edição

Lugar de Edição

Ano de Edição

Páginas

Observações

Citações

1

Rebanho (ovelhas, carneiros e cabras); gado

Pã, Ganimedes e Priapo

As Geórgicas

Virgílio

 

 

 

As Geórg. 73; 85; 127; 129

Ganimedes era guardador de rebalhos nas montanhas à volta de Tróia quando Zeus, em pessoa ou sob a foram de águia, o raptou e levou para o Olimpo, onde passou a desempenhar papel de escanção do néctar dos deuses. Em Santa Bárbara foi identificado um exemplar de uma lucarna com a representação de Ganimedes, caminhandfo sobre uma grinalda de folhagem (MAIA, 1997, 70). Também nesse local apareceram dois exemplares de lucernas representado Sátiro, símbolo do poser vitar da natureza. Por esse facto, as representações de Sátiros são sempre particlamente zoomórficas, fazendo os cornos do bode parte integrante das figurações. Pan, deus dos rebanhos e dos pastores, também filho de Hermes/Mercúrio, nasceu igualmente com cornos de bode e muito irrequieto. Os Romanos identificaram esta divindade com Fauno, também com cornos e pés de bode (MAIA, 1997: 75). Em Santana do Campo, Arraiolos, sobrevivem os vestígios de um templo consagrado a Carneus Calanticenses (IRCP 410-412), divindade possivelmente relacionada com a criação de gado (Mantas, 1998:50).

 

2

Oliveira

Atena, (Minerva) e Júpiter.

Virgílio, As Geórgicas, pp.25; 45; 63; 65, 69; 75; 89.; Plínio, NH, XV, 1, 8; 17; XVII, 93; XV, 17; Estrabão, III, 4, 16. Catão, De Agr. 10-11

 

As Geórgicas, 1948, Lisboa, Sá da Costa. NH,

 

 

 

A oliveira era a árvore da civilização, da paz e da vitória sobre as forças obscuras, esterilizantes e injustas. O Triunfo da civilização. A deusa Atena fez brotar a oliveira por detrás do Erectéion, como o mais belo presente que podia oferecer aos Atenienses. Atena zela pelo Estado e pela prosperidade do mesmo. Vela também pela agricultura. Ver artigo do «Tesouro da Lameira Larga» publicado na Revista de Arqueologia, Madrid. Nesta pátera é bem visível a oliveira e o mocho, atributos de Atena. Junto a Pedras d'El Rei (Santa Luzia) existe um oliveira com cerca de dois mil anos, uma das árvores mais antigas de Portugal. Catão considerava suficientes 13 trabalhadores para se ocuparem de uma propriedade de 240 judera (60 ha) dede olival (60ha), número que para 100 jugera de vinha subia para 18.

Segundo Plínio, «Há tabém azeitonas muito doces que se secam por si, mais doces que uvas passas; são bastante raras e produzem-se na África e próximo de Emérita, na Lusitânia» Plínio, NH, XV, 17

3

Cipreste

Silvano, Plutão e Manes

As Geórgicas

Virgílio

Sá da Costa

Lisboa

1948

25; 67; 89

A árvore da vida, da imortalidade. do Além. Entre Gregos e Romanos relaciona-se com as divindades do Inferno e das regiões subterrâneas. Está ligado ao culto de Plutão e associado aos Cabiros. O cipreste era também consagrado aos Lares e Penates e colocavam-se nas sepulturas lâmpadas para que se mantivesse o fogo aceso em sua honra. Em Santa Bárbara foram identificados vários exemplares dedicados aos Manes, tendo na decoração árvores onde se enroscam serpentes (MAIA, 1997, 61).

 

4

Trigo

Ceres, Deméter

Virgílio, As Geórgicas, Sá da Costa, 1948, Lisboa. Plínio, NH, XVIII, 66, 306; Estr. III, 2., 6

 

 

 

 

As Geórgicas, 29; 31; 39; 45; 47; 73; 75; 95.

Deméter, filha de Crono e de Reia, parece ter dado os primeiros grãos de trigo a Céleo de Elêusis. É a deusa do trigo, ao qual facilita a germinação, e das colheitas, de que assegura o amadurecimento. No Museu Nacional de Arqueologia há uma pedra de anel da colecção Bustorff Silva, de proveniência desconhecida, que apresenta gravada um busto de mulher com diadema (Ceres?) voltado à esquerda, que é sublinhado por uma espiga estilizada (ver «Um gosto privado - um olhar público», p. 130.

«Terras anegradas, onde a relha escorrega quase sem esforço, mas que se esfarelam - para isso serve o charruar - são as melhores para o trigo» , As Geórgicas, 73. Plínio informa-nos que na Hispânia o trigo se guarda em silos e que «assim, se não penetra qualquer ar no trigo, é seguro que não haverá qualquer dano» Plínio, XVIII, 306-307 Segundo informação de Estrabão, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável» Estrb. III, 2, 6

5

Serpente

Apolo , Júpiter , Hermes; Esculápio, Perseu

Virgílio,,As Geórgicas, Sá da Costa, 1948, Lisboa. Barata, Filomena, «O Tesouro da Lameira Larga», Revista de Arqueologia», Madrid. Estr. III, 2, 6; Montero Herrero, Santiago, Diosas y Adivinas

 

 

 

 

As Geórgicas: 33; 101; 127; 127; 135;

Apolo matou a serpente Píton que vivia numa caverna do monte Parnaso. Apolo também se transformou em serpente para se unir a Dríope, filha do rei Dríops. Ver ainda as serpentes enroscadas em Ixíon, de cujos amores com Hera nasceram os Centauros. Fruto desses amores Ixíon foi castigado e amarrado com serpentes a uma roda que gira, sem repouso, no fundo do Tártaro. Sobre as Górgonas ver m/artigo do «Tesouro da Lameira Larga» e «Monstros e Mitos», Revista de Arqueologia, nº 207. De Itálica provém um busto de Adriano que tem na coraça uma representação de uma Górgona (ver Pilar León, Esculturas de Itálica». De Tarragona provém um outro busto semelhante. Ver «La Mirada de Roma», p. 12, e de Mérida há uma estátua onde está tb. representada na coraça. (idem, p. 186). Ver também «Sarcófago da vindima» do MNA. No Museu Nacional de Arqueologia há uma estatueta de bronze, proveniente de Ferragudo com a forma de serpente, datável dos séculos IV-II a. C. Também no Museu de Arqueologia há um pingente de vidro, proveniente de Comôros da Portela (Silves) com a forma da cabeça de uma serpente, datável dos séculos VII-V a. C. Ainda no Museu Nacional de Arqueologia há uma pedra de anel da colecção Bustorff Silva, de proveniência desconhecida, que apresenta gravada a Medusa «Um gosto privado - um olhar público», p. 133. A serpente simboliza a renovação pois muda a sua pele todos os anos. Com motivos onde as serpentes estão representadas enroladas nos troncos de árvores, é um conjunto de lucernas provenientes de Santa Bárbara, bem como seis exemplares onde está representada a Medusa (MAIA, 1997, 61-62 e 74-75). De Torre de Ares provém ainda uma lucerna de finais dos imperadores flávios, onde no disco aparece representado um altar ladeado por duas palmeiras com duas cobras enroladas nelas (NOLEN, 1994, 43, lu.40). Hermes usava um bastão com uma serpente enrolada.

Ver Plínio III, 78; V, 15; XXXV, 202. «Estes animais (as lebres), como se alimentam de raízes, destróiem plantas e sementes». (...) uma invasão (de lebres) deste género ultrapassa as suas proporções habituais e propaga-se como uma peste, ao modo das pragas de serpentes ou de ratos campestres» Estr. III, 2, 6

6

Sapo

 

As Geórgicas

Virgílio

Sá da Costa

Lisboa

 

37; 49

Na Antiga Grécia o sapo parece ter simbolizado a luxúria e era o nome de uma sacerdotisa, a interprete de Afrodite.

 

8

Lebre

 

Virgílio, As Geórgicas, Sá da Costa, 1948, Lisboa; Plínio, N.H., III, 78; VIII, 104, 218, 226, 270; XI, 196. Estr. III, 2, 6; III, 5, 2; Montero Herrero, Santiago, Diosas y Adivinas

 

Sá da Costa

Lisboa

1948

As Geórgicas, pp. 45; 125; Diosas y Adivinas , 155

Ver «Sarcófago da Vindima» do MNA (MATOS, 1005: 100). É um animal representado com frequência nas lucernas romanas, como são os exemplares provenientes de Santa Bárbara (MAIA, 1997, 101-102). Também o Museu Nacional de Arqueologia há uma lucerna da colecção Barros e Sá, de proveniência desconhecida, que apresenta uma decoração no disco com um coelho e óvulos na orla, datável do século I (ver o catálogo da exposição «Um gosto privado - um olhar público», p. 200).Datável do século IV, é uma tijela decorada com uma peça de caça gravada à mão, proveniente de Torre de Ares, onde estão representados dois cães e duas lebres rodeando um cesto de fruta («O Vidro em Portugal» e NOLEN, 1994: 179, vi 87). Do Neolítico Final, datável da segunda metade do 4º milénio, proveniente da Gruta da Cova da Moura, existe uma pequena escultura zoofórmica representando um coelho ou lebre, executado numa pedra verde (variscite?) «Lisboa Subterrânea», p. 179. Ver os «Mosaicos romanos con aves rapaces (halcones en escenas de cacería y águilas en escenas simbólicas) y con la caza de la perdiz», in ANAS 1994-95. As lebres eram frequentemente usadas em métodos adivinhatórios nas regiões germanas(Montero, 155).

«É, todavia , este o tempo (o Inverno) em que se colhem as landes dos montados, as bagas do louro, as bagas cor-de-sangue da murta, e o fruto da oliveira; (..) em que se perseguem as orelhudas lebres». Segundo Plínio, « ... Ao género das lebres pertencem também os animais a que na Hispania se chamam «cunuculi», de fecundidade inesgotável (...) Plínio, N.H., VIII, 217 Em Estrabão, as lebres são consideradas como «animais daninhos» : «Estes animais, como se alimentam de raízes, destróiem plantas e sementes». (...) uma invasão (de lebres) deste género ultrapassa as suas proporções habituais e propaga-se como uma peste, ao modo das pragas de serpentes ou de ratos campestres» Estr. III, 2, 6

9

Louro

Dióniso

 

Virgílio

Sá da Costa

Lisboa

1948

45

A coroa de louros é um dos atributos de Vitória. e simboliza triunfo. Foi oficialmente atribuída a César, que a usava com frequência. Em Santa Bárbara foram identificadas inúmeras lucernas com a representação de coroas de louro (MAIA, 1997, 115 e 116).

 

10

Prado

Ceres, Marte e Adónis

As Geórgicas

Virgílio

 

 

 

47

Adónis é frequentemente associado à vegetação, simbolizando a sua morte o repouso invernal das plantas, dando-se a sua ressurreição na Primavera, numa renovação incessante de ciclos.

 

11

Vinha

Diónisos; Baco; Saturno; Priapo

Virgílio, As Geórgicas; Estrabão, Geografia; Plínio, N.H., XIV, 29-30, 41, 71, 91, 97 127; XV, 25; XVII, 170 ; XVIII, 336; XXXVII, 203 Espasa-Calpe. S.A., Madrid, 1947;Catão, De Agricultura

 

As Geórgicas, Sá da Costa, Lisboa, 1948.

 

 

As Geór, 47 65; 67; 73; 77; 79; 81; 85; 89; 95.

Saturno parece ter sido o responsável por ter ensinado aos habitantes da Itália a cultura da vinha. Saturno era deus das Sementeiras e doas Grãos, por vezes mesmo da Vinha. É representado com a foice do ceifeiro e a podoa do vinhateiro. Os Antigos viam na vinha e em Dionísio - deus do vinho, rodeado por um conjunto de divindades alegres e ébrias - a imagem simbólica da força da natureza cheia de seiva. Baco é a divindade romana do Vinho e da Vinha, do Deboche e da Licenciosidade. A videira fornecia a Dióniso a sua coroa. No Museu Nacional de Arqueologia existem vários bustos de Dióniso ou Baco com o cabelo ornado de uma grinalda de cachos de uvas e parras, provenientes respectivamente da villa de Milreu, datável do século II, e de Mértola (MATOS, 1995: 56-59). No «sarcófago da vindima» , proveniente de Castanheira do Ribatejo, que tem forma de cuba de vinificação, o retrato de uma jovem inscrito num medalhão centra-se na peça. O medalhão está assente sobre um vaso com duas asas, donde saiem ramos de oliveira, parras e cachos de uvas e, entre as ramagens, aparecem pequenos cupidos, cestas de vidima, aves e animais campestres, como coelhos, cobras, escorpiões, lagartos, caracóis e gafanhotos (MATOS, 1995: 100). Os temas báquicos eram muito comuns na decoração das lucernas, como se pode verificar, apenas a título de exemplo, nos exemplares provenientes de Balsa (NOLEN, 40, 94, lu. 2 , 4 e 8), datáveis dos séculos I e II e em Santa Bárbara (MAIA, 1997: 45). Deste último local provêm duas lucernas com a representação de Sileno (MAIA, 1997: 77).

«Mas, antes de tudo, venera os deuses e oferece à magna Ceres os sacrifícios anuais devidos, celebrando-os nos prados ridentes, quando o inverno chegou ao seu termo e a primavera serena já se anuncia. Nessa ocasião estão nédios os cordeiros e os vinhos têm o melhor sabor». Virgílio, 47. Segundo E$strabão, grande parte da costa mediterrânica e atlântica estava coberta de arvorado : oliveira, vinha, figueir e que a região entre o Tejo e o Cantábrico «era rica em frutos e gado» (3,3,5). Plínio, por sua vez, informa-nos sobre a qualidade da vide «coccolobis» na Hispânia, cujo vinho «sobe à cabeça» e que existem duas variedades, uma de bago alargado e outra de bago redondo. «Dizem que beber vinho destas uvas uvas é um bom remédio para as "ddolencias de vejida"» (Plínio, XIV, 29-30. Informa ainda que qundo da vitória de César sobre a Hispânia «consta que pela primeira vez se beberam quatro qualidades de vinho» Plínio, XIV, 97 Segundo informação de Estrabão, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável» Estrb. III, 2, 6

12

Azeite

Paz; fecundidade; Força; Vitória; Glória; Purific.

Viigílio, pp.51; 91; 95; Plínio, XV, 1; XVIII, 306; Estrab. III, 2, 6.; III, 3, 1; III, 3, 6; III, 3, 7; III, 3, 7; III, 4, 16

 

Sá da Costa

Lisboa

1948

 

Ver oliveira. Ver Plínio XV, 1; XVIII, 306; XXXIV, 95; XXXVII, 203

Segundo informação de Estrabão, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável» Segundo informação de Estrabão, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável» , ben como cera, mel, pez .....Estrb. III, 2, 6

13

Cavalo

Pégaso, Posídon, Apolo; Marte; Hades e Bóreas

As Geórgicas: 59; 101; 105; 107; 111; 115; 117; 123; 131; 133; NH IV 116; VIII, 106; XVIII, 108, 166; VIII, 57 166; XXXVII, 203; Plínio, NH; Estrabão, Geografia (III, 3, 7; III,4,15). Diosas y Adivinas.

Virgílio; Plínio; Estrabão; Mela; Montero Herrero

Sá da Costa (As Geórgicas)

Lisboa

1948

Posídon - sua ligaç ao cavalo p/ qual. ctónicas

Bóreas, o vento do Norte, tomou a forma de um cavalo para se unir ás éguas de Erictónio. Posídon também se tranformou em cavalo para perseguir Deméter que se havia metamorfoseado em égua. É um animal representado com frequência nas lucernas romanas, como são os exemplares provenientes de Santa Bárbara (MAIA, 1997, 100-102). Neste Sítio Arqueológico apareceram também dois exemplares com biga e quadriga (MAIA, 1997: 92-93) e ainda dois exemplares com a representação de Pégaso MAIA, 1997: 79), cavalo alado que nasceu do sangue da Medusa, quando esta foi degolada por Perseu que o montou imediatamente para fugir das outras duas Górgonas. Pégaso é também o cavalo de Zeus, portador do seu raio. Em algumas representações Apolo aparece sobre um cavalo puxado por cavalos alados. Inúmeros são os numismas onde aparece representado o cavalo, como é o áureo de Augusto cunhado na Hispânia, onde está representada uma quadriga triunfal, cujo carro está decorado com Victórias. No anverso, César Augusto com coroa de louros. Ver «La Mirada de Roma», p. 118. No Museu Nacional de Arqueologia existem também vários exemplares com representações equestres, podendo citar-se, apenas a título de exemplo, o denário ibérico do Cabeço de Vaiamonte e o sestércio de Nero (Portugal das Origens à Época Romana, 1989, 67 e 73). De Torre de Ares provém ainda uma lucerna , onde no disco aparece representado uma biga (NOLEN, 1994, 44, lu.48). De Torre de Palma provém o célebre «mosaico dos cavalos» Hiberus, Leneus, Pelops e Lenobatis (LANCHA, 1994). Numa placa funerária de Lupus, proveniente do Monte de Vale do Vinagre, em Baleizão (IRCP 312) é visível um cavalo naïf. De assinalar, e apenas por curiosidade, a frequente representação de equídeos na arte rupestre em território nacional, de que se pode citar a título de exemplo o Vale do Côa e a Gruta do Escoural. Ver os « Los Mosaicos de la villa romana de "Panes Perdidos" , in ANAS 1994-95 Nos processos de adivinhação oníricos, sonhar com um cavalo pode simbolizar a mulher, assim como sonhar com javali ou com pombas(MONTERO HERRERO, Santiago, 1994, 200).

Segundo Mela, a Hispânia era «abundante em homens, cavalos, ferro, chumbo, cobre, prata e ouro; e é tão fértil que, também em alguns lugares que a falta de água torna mais estéreis e pobres, produz, não obstante o linho ou o esparto». Pomponius Mela, Chorographia, II, 86. Segundo Plínio « o vento (favonius) fecunda tudo o que vive sobre a terra, porque na Hispânia emprenha até as éguas». Plínio, NH, XVI, 93. Também segundo informação de Plínio, na Lusitânia, perto de Olisipo «as éguas de viradas para a brisa do Favónio recebem um sopro fecundante e deste modo se gera uma cria muito veloz, mas que não ultrapassa os três anos de vida» (Plínio, VIII, 166.

14

Mocho

 

 

 

 

 

 

 

ver coruja

 

15

Águia

Zeus/ Júpiter

 

 

 

 

 

 

Símbolo majestoso do poder supremo, sempre associado a Zeus.Por se ter recusado a participar nos mistérios de Dionísio, Alcítoe foi transformada neste animal Em Santa Bárbara foram identificadas seis lucernas com a representação de Júpiter com a águia, datáveis do século I d. C. e seis exemplares ostentando a águia isolada sobre o disco (MAIA, 1997, 58; 104). De Torre de Ares provém uma tijela decorada com bandas de elementos vegetais e animais, salentando-se o javali, a cobra e a águia, datável do reinado de trajano (NOLEN, 1994, 73, ss.39). Existe ainda a representação de uma Águia numa Epígrafe Romana, proveniente do Torrão, consagrada pela flamínia Flavia Rufina (Encarnação, 1994-1995). Ver os «Mosaicos romanos con aves rapaces (halcones en escenas de cacería y águilas en escenas simbólicas) y con la caza de la perdiz», in ANAS 1994-95. A águia aparece aqui conotada com a ressurreição e a imortalidade.

 

16

Coruja

Atena, Diónisos

«O Tesouro da Lameira Larga», Revista de Arqueologia; «De Ulisses a Viriato».

Barata, Filomena

 

Madrid

 

 

A coruja simboliza a reflexão que domina as trevas. No Museu Nacional de Arqueologia há um Tetradracma de Atenas de prata, proveniente da Serra do Pilar, Vila Nova de Gaia, da II Idade do Ferro, datável de final do século V a. C. No anverso está representada a deusa Atena e no reverso apresenta uma coruja de pé, um ramo de oliveira e um crescente (ver «De Ulisses a Viriato», p. 282 e artigo do «Tesouro da Lameira Larga».Por se ter recusado a participar nos mistérios de Dionísio, Leucipe foi transformada por Hermes em Mocho e Arcipe em Coruja.

 

17

Galo

Apolo, Esculápio, Mercúrio

 

 

 

 

 

 

O galo era consagrado aos deuses solares, como Apolo, e lunares. é também o animal de Mercúrio, que, por vezes, é representado cavalgando um galo. É a ave sacrificada a Esculápio. No depósito votivo de Santa Bárbara apareceram cinco lucernas com galos a decorar o disco (MAIA, 1997: 105).

 

18

Loureiro

Apolo, Dafne e Liberdade

as Geórgicas

Virgílio

Sá da Costa

 

1948

61

Apolo apaixonou-se da ninfa Dafne que, para lhe escapar, foi transformada em loureiro. Com as folhas desta árvore Apolo teceu uma coroa.

 

19

Touro

Zeus, Europa, Ariadne, Posídon, Baco; Mitra

Virgílio, As Geórgicas, Sá da Costa, 1948, Lisboa. Estrabão, III, 2, 4. Barata, Filomena, «A propósito da cabeça de touro de Mitóbriga», Vispasca, Aljustrel

 

 

 

 

As Geórgicas, pp. 71; 113; 115; 133

Segundo a mitologia grega, Europa foi raptada por Zeus que se transformou em touro para enganar a donzela. (ver meu artigo sobre a cabeça de touro de Mióbriga). Em Santa Bárbara foi identificado um exemplar com tema da Europa representado. (MAIA, 1997, 69). No Museu Nacional de Arqueologia há uma estatueta de bronze, proveniente de Vila do Bispo com a forma de touro, datável dos séculos IV-II a. C. (ver artigos de M.V. Gomes) e outra de proveniência desconhecida, com chifres e pernas partidas (De Ulisses a Viriato, 1996, p. 244). Existe ainda um queimador ritual de bronze, que é ramatado por uma figura de touro deitado (idem, p. 245) e uma estátua de touro levantado, de cabeça para a frente, da colecção Bustorff Silva (ver «Um gosto privado - um olhar público», p. 122. Um touro de bronze tartéssico, provavelmente proveniente de Mourão, datável do século VII a.C., pertence também à colecção desse mesmo Museu (CORREIA, 1989). No Museu e Arqueologia de Montemor-o-Novo existe um outro exemplar de bronze, proveniente da Herdade de Corte Pereiro, que aponta para o século V a.C. (GOMES, 1989)

 

20

Carvalho

Ninfas Dríades; Zeus/Júpiter

As Geórgicas

Virgílio

Sá da Costa

Lisboa

1948

79; 121

Zeus permanece nos carvalhos de Dodona e anima, com o seu sopro, a folhagem que manifesta os seus oráculos. O carvalho fornecia a Zeus a sua coroa. As Dríades são as ninfas que povoam as florestas de carvalhos, particularmente sagrados na religião grega e que a protegem. As Dríades têm a forma e o tamanho de um tronco com raízes. Filémon foi também transformado em carvalho. O carvalho era protegido pelas Dríades, a mais célebre das quais Eurídice casou com Orfeu. Milão ao tentar abater uma destas árevores ficou com as mãos trilhadas entre as duas partes da árvore que se voltaram a unir. Em Santa Bárbara foram identificadas inúmeras lucernas com a representação de coroas de carvalho (MAIA, 1997, 112 e 113).

 

21

Pinheiro

Átis e Cíbele

Plínio, XIV, 127

 

 

 

 

 

Cíbele apaixounou-se por Átis. Não sendo devidamente correspondida atingiu-o com loucura, tendo-se o pastor mutilado. Posteriormente, com remorsos, a deusa transformou-o em pinheiro. No Extremo Oriente, o pinheiro simboliza a imortalidade.

 

22

Javali

Canente, Circe e Endovélico.

As Geórgicas

Virgíliio

1948

 

 

115

Canente era a esposa do rei Pico. O marido foi tranformado em javali e em picanço pela maga Circe. O javali está também ligado a Admeto, quer pela sua participação na caçada a estes animais, quer pela condição imposta por Alceste para o seu casamento, que exigia que Admeto atrelasse um destes animais ao seu carro. A captura do javali constitui um dos doze trabalhos de Héracles. No Museu Nacional de Arqueologia existe uma ara onde numa das feces laterais está representado, sob uma pequena árvore, um javali (MATOS, 1995: 92). Proveniente de S. Miguel da Mota, existe a estátua de um porco ou javali, asscoiado ao culto de Endovélico (MATOS, 1995: 172).O javali era símbolo do mundo funerário. Endovélico também se fazia representar com a palma ou coroa de louros. Também proveniente de S. Miguel da Mota é uma ara com inscrição ao deus Endovélico numa das faces e, nas restantes, com relevos de uma palma, uma coroa e um javal (MATOS, 1995:176). Proveniente de Vila do Bispo e pertencente ao acervo do Museu Nacional de Arqueologia, existe uma estatueta em bronze com forma de javali, datável dos séculos IV-II a. C. De Faro, provém um frasco de vidro com uma decoração por abrasão zoomórfica, representando um javali, datável de 2ª metade do século III- século IV. De Torre de Ares é uma lucerna onde está representado um javali a ser atacado por um cão, datável do século I (NOLEN, 40, lu-6).

 

23

Cabra

Zeus; Atena; Pã

As Geórgicas, Sá da Costa, Lisboa, 1948. Plínio, NH, VIII, 199..

Virgílio; Tertuliano

 

 

 

As Geórgicas, pp. 73; 117; 119; 121

Zeus, que havia esfolado a cabra Amalteia, que o amamentara quando Gea o escondeu de Cronos, e se serviu da sua pele para se proteger dos Titãs, tem como emblema a pele de cabra enfeitada, muitas vezes, com serpentes - a Égide. Atena também tem o mesmo emblema. Para os Gregos a cabra simbolizava o relâmpago. Pã, filho de Hermes, era o deus-cabra. A cabra é um animal representado com frequência nas lucernas romanas, como são os exemplares provenientes de Miróbriga (CABRAL, nº 6, p. 457) ,e de Santa Bárbara (MAIA, 1997, 98).Neste último Sítio apareceram ainda vários exemplares com as Cornucópias da abundância, que se trata do corno da cabra Amalteia (MAIA, 1997: 80). No Museu Nacional de Arqueologia há uma estatueta de bronze, proveniente de Silves com a forma de cabrinha, datável dos séculos IV-II a. C. Também no Museu Nacional de Arqueologia há duas pedras de anel da colecção Bustorff Silva, de proveniência desconhecida, que apresentam gravadas cenas campestres, constituída por um pastores com bordão e por uma cabras e árvores, bem como um camafeu com uma cena dionisíaca, onde um homem nu segura as pernas de uma cabra junto a uma árvore (ver «Um gosto privado - um olhar público», p. 130-133). De assinar a representação de caprídeos na arte rupestre em território nacional, de que se pode citar a título de exemplo o Vale do Côa e do Vale do Tejo.

Ver relação com a adivinhação em Tertuliano.

25

Ovelha

 

As Geórgicas, Virgílio,Sá da Costa, 1948. Plínio, VIII, 199; Estrabão, III, 2, 6.

 

 

 

 

Virgílio, 71; 73; 85; 119; 121; 125; 127; 129.

De Torre de Ares provém ainda uma lucerna , onde no disco aparece representada uma ovelha (NOLEN, 1994, 44, lu.46). Plínio informa-nos que «as melhores lãs de velo prodú-las a Hispânia. (...) As da Hístria e da Libúrnia são mais pelo do que lã, impróprias para vestuário peliçado, e o mesmo acontece com as que Salácia, na Lusitânia, recomenda para tecidos axadrazados» (Plínio, VIII, 191). Estrabão informa-nos que a Turdetânia tinha lãs «nada há que as supere em beleza» Estr. III, 2, 6.

 

26

Silva

 

As Geórgicas

Virgílio

 

 

 

73

 

 

27

Zamujeiro

 

As Geórgicas

Virgílio

Sá da Costa

 

1948

73; 81

 

 

28

Bode

Baco

As Geórgicas

Virgílio

 

 

 

 

Ver os Sátiros

 

29

Abelha

Ceres; Priapo

Virgílio, As Geórgicas, Sá da Costa, Lisboa, 1948; Plínio, Naturalis Historia

 

 

 

 

As Geórgicas, pp. 47; 91; 137; Plínio, XI, 18

As abelhas podiam significar um mau presságio (Plínio NH XI, 55)

Segundo Plínio, as abelhas fazem cera com as flores das plantas, excepto algumas; é erróneo exceptuar o esparto, pois na Hispânia há muitos meles que procedem de espartos e têm gosto a esta planta. Julgo igualmente engano esquecer a oliveira, porque é certo que a abundância de oliveiras favorece a multiplicação dos enxames», Plínio, N.H., XI, 18. Ver também Plínio, XXI, 74. Para Virgílio as abelhas possuem uma parcela da Intiligência divina. Segundo informação de Estrabão, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável», ben como «cera, mel, pez».....Estrb. III, 2, 6

30

Azinheira

 

 

Virgílio

 

 

1948

91

 

 

31

Madeira (várias)

 

As Geórgicas

Virgílio

Sá da Costa

 

1948

91

 

 

32

Alecrim e rosmaninho

 

As Geórgicas

Virgílio

 

 

1948

75

 

 

33

Andorinha

 

As Geórgicas

Virgílio

 

 

 

49

Filomela foi transformada por Tereu nesta ave

 

35

Sobreiro

 

Plínio, Naturalis Historia ; Estrabão, Geografia, III, 3, 7

 

 

 

 

 

Ver também Estrabão, III, 3, 7.

Segundo Plínio, «É coisa certa que mesmo hoje em dia a bolota constitui uma riqueza para muitos povos, mesmo em tempo de paz. Havendo escassez de cereais secam-se as bolotas, monda-se e amassa-se a farinha em forma de pão. Actualmente, mesmo nas Hispanias, a bolota figura entre as sobremesas». Plínio, NH. XVI, 15. Segundo Estrabão, a principal base alimentar dos povos do N. e NO peninsular era a bolota, com cuja farinha faziam pão. Estrabão, III, 3, 7. «Em três quartas partes do ano os montanheses não se alimentam de outra coisa senão de bolotas, que, secas e trituradas, servem para fazer pão».

36

Linho

 

Plínio, NH, XIX, 9, 10; XXIV, 65; Estrabão, III, 3, 6

Plínio

Espasa-Calpe

Madrid

1947

 

 

Estrabão informa-nos que os Lusitanos na sua «maioria usam couraças de linho e poucos cota de malha» Estrabão, III, 3, 6.

37

Esparto

 

Plínio, NH, XIX, 26, 27; Estrabão, III, 4, 9.

Plínio

Espasa-Calpe, S.A., 1947, Madrid

 

 

 

 

 

38

Alcachofra

 

Plínio, NH, XIX, 152

 

 

 

 

 

 

 

39

Caracóis

 

Plínio, NH, XXX, 45

 

 

 

 

 

 

 

40

Ouro

 

Plínio, NH, XXXIII, 62, 66, 67, 76, 77, 78, 80.

Plínio, NH, XXXIII, 62, 66, 67, 76, 77, 78, 80.

 

 

 

 

 

 

41

Prata

 

Plínio, NH, XXXIII, 9697, 106, 158

 

 

 

 

 

 

 

42

Cobre

 

Plínio, NH, XXXIV, 4, 95

 

 

 

 

 

 

 

43

Chumbo

 

Plínio, NH, XXXIV, 156, 158, 164

 

 

 

 

 

 

 

44

Boi

 

Plínio, NH, XXXI, 86.

 

 

 

 

 

No Museu Nacional de Arqueologia há duas estatuetas de argila,uma proveniente da necrópole da Fonte Santa, Ourique com a forma de boi, datável da I Idade do Ferrp (De Ulisses a Viriato, 1996, p. 218) e uma outra proveiniente da necrópole do Olival do Senhor dos Mártires, da II Idade do Ferro (iderm, p. 254). Existe ainda uma estatueta de bronze, em forma de bovídeo deitado, proveniente de Mourão, datável da I Idade do Ferro (De Ulisses a Viriato, 1996, 247). De assinar a representação de bovídeos (auroques) na arte rupestre em território nacional, de que se pode citar a título de exemplo o Vale do Côa.

 

45

Burro

 

Plínio, VIII, 170

 

 

 

 

 

 

« É sabido que na Celtibéria as burras chegaram a produzir crias de valor de 40.000 sestércios» Plínio, VIII, 170.

46

Formiga

 

Plínio, NH, XXIX, 92.

 

 

 

 

 

Formigas venenosas: Plínio, XXIX, 92.

 

47

Salamandra

O Fogo

 

 

 

 

 

 

Os Antigos julgavam-na, po um lado, capaz de viver no fogo sem por ele ser consumida e, por outro, capaz de o extingir.

 

48

Picanço

Marte, Circe

As Geórgicas

Virgílio

Sá da Costa

 

1948

 

Para os Gregos e Romanos ouvir um picanço era um bom presságio para os caçadores. Era a metamorfose do rei Picus, célebre pelos dons divinatórios. Era honrado como pássaro-profeta e era o pássaro sagrado de Marte. Pico foi transformado nesta ave porque não quis aceder aos amores da maga Circe. Nota: O Picanço-real, Lanius Excubitor, é um residente comum em Miróbriga, onde deverá existir também, como estival, o picanço-barreteiro, lanius Senator.

 

49

Carneiro

 

Plínio, VIII, 199; Estrabão, III, 2, 6

 

 

 

 

 

Do cabeço de Vaiamonte (Monforte) provém um pendente em pasta vítrea, datável dos séculos VII a V a. C., em forma de cabeça de carneiro, nas cores negra, branca e amarela. A sua presença deve-se, provavelmente, ao comércio fenício (ver «O Vidro em Portugal» e «De Ulisses a Viriato», p. 263). Ainda nesse Museu existe a cabeça de um carneiro, provalvelmente de influência cultural tartéssico-oriental.

 

50

Cervídeo

Artemis/Diana

 

 

 

 

 

 

No Museu Nacional de Arqueologia há uma estatueta de bronze, da colecção Bustorff Silva, de proveniência desconhecida, com a forma de cervídeo, datável do século VII a. C. (ver catálogo da exposição «Um gosto privado - um olhar público», MNA, 1994. e uma cerâmica «paredes finas» , proveniente possivelmente da Necrópole de Belo, onde está representado um veado e dois corsos (?). (idem, p.88). A corça, animal que acompanha Diana, está representado numa lucerna de Santa Bárbara (MAIA, 1997. 101). De Torre de Ares provém uma tijela decorada com bandas de elementos vegetais e animais, como veados e pássaros, datável da época flávia (NOLEN, 1994, 91, sh.1). Na festividade das Tesmofórias, dedicada a Deméter, o único animal que se sacrificava era o veado. Em território nacional há inumeras representações de cervídeos na arte rupestre, podendo-se, a título de exemplo, referir os do Vale do Tejo, do Côa e do Escoural

 

51

 

 

 

 

 

 

 

Também no Museu Nacional de Arqueologia há duas pedras de anel da colecção Bustorff Silva, de proveniência desconhecida, que apresentam gravadas cenas campestres, constituída por um pastores com bordão e por uma cabras e árvores, bem como um camafeu com uma cena dionisíaca , onde um homem nu segura as pernas de uma cabra junto a uma árvore (ver «Um gosto privado - um olhar público», p. 130-133).

 

52

Gafanhoto

 

 

 

 

 

 

 

No Museu Nacional de Arqueologia há uma lucerna da colecção Barros e SáSilva, de proveniência desconhecida, que apresenta uma decoração no disco com um gafanhoto e óvulos na orla, datável do século I (ver o catálogo da exposição «Um gosto privado - um olhar público», p. 199).

 

53

Urso

 

 

 

 

 

 

 

Árcade foi com sua mãe Calisto transformado neste animal e colocado entre as constelações. O urso está representado em cinco lucernas de Santa Bárbara (MAIA, 1997. 102).

 

54

Rouxinol

 

 

 

 

 

 

 

Aédon foi transformada por Zeus nesta ave, como forma de a apaziguar da sua dor por um crime que inadvertidamente cometeu.

 

55

Romã

Afrodite (Vénus)

 

 

 

 

 

 

 

 

56

Morcego

 

 

 

 

 

 

 

Por se ter recusado a participar nos mistérios de Dionísio, Alcítoe foi transformada neste animal

 

57

Pêga

 

 

 

 

 

 

 

Porque desafiaram as Musas para um concurso de canto as Piérias foram transformadas nestas aves.

 

58

Amoreira

 

 

 

 

 

 

 

Segundo Ovídio a cor do fruto das amoras deriva do sangue derramado poe dois amantes - Píramo e Tisbe.

 

59

Cegonha

Piedade

 

 

 

 

 

 

Associada à fidelidade, era um dos atributos da Piedade Em Santa Bárbara foram identificadas duas lucernas com a representação da cegonha isolada sobre o disco (MAIA, 1997, 104 e 105).

 

60

Freixo

 

 

 

 

 

 

 

Árvore eleita como habitação das Melíades.

 

61

Lince

Deméter

 

 

 

 

 

 

Linco foi transformado neste animal, por Deméter, por punição

 

62

Grou

 

 

 

 

 

 

 

O assassínio de Íbico foi presenciado por um bando destas aves que posteriormente denunciaram os assassinos.

 

63

Papoila

 

 

 

 

 

 

 

Atributo de Hipno, personificação do Sono, irmão gémeo da morte

 

64

Choupo

 

 

 

 

 

 

 

As saberem da morte do irmão, as Helíades choraram durante quatro meses, e compadecidos com a sua dor os deuses transformaram-nas nestas árvores.

 

65

Tília

 

 

 

 

 

 

 

Pela doçura da sua hospitalidade, Báucis após a sua morte foi transformada pelos deuses em tília.

 

66

Hera

 

 

 

 

 

 

 

Esta planta envolve as lanças das Bacantes e, juntamente com as parras, forma a coroa de Diónisio. Aparece igualmente na coroa de Silvano e de Tália.

 

67

Gralha

 

 

 

 

 

 

 

Corónis foi transformada por Atena nesta ave. Nota: a gralha-preta, Corvus Corone , ocorre em Miróbriga.

 

68

Lobo

 

 

 

 

 

 

 

Ver a fundação de Roma. O culto de Sorano e Apolo-Licio estavam intimamente ligados a esta espécie

 

69

Cigarra

 

 

 

 

 

 

 

Titono, símbolo da decrepitude por ter sido condenado à eternidade, mas não à eterna juventude, é transformado por Eos em cigarra.

 

71

Lagarto

Apolo

 

 

 

 

 

 

É o animal que simboliza Apolo, divindade que, entre os Gregos, assume primordial importância nas artes divinatórias.

 

72

Maçã

Afrodite (Vénus)

 

 

 

 

 

 

 

 

73

Natureza

Artémis / Diana e Sátiros

 

 

 

 

 

 

Artémis era a padroeira dos animais selvagens e da natureza. Era a deusa da caça e protectora das mulheres e dos partos. Em Santa Bárbara recolheram-se seis exemplares de lucernas com a representação de Artémis (MAIA, 1997: 46). Também nesse local apareceram dois exemplares de lucernas representado Sátiro, símbolo do poser vitar da natureza. Por esse facto, as representações de Sátiros são sempre particlamente zoomórficas, fazendo os cornos do bode parte integrante das figurações. Pan, deus dos rebanhos e dos pastores, também filho de Hermes/Mercúrio, nasceu igualmente com cornos de bode e muito irrequieto. Os Romanos identificaram esta divindade com Fauno, também com cornos e pés de bode (MAIA, 1997: 75).

 

74

Pavão

Juno

 

 

 

 

 

 

O pavão é a ave sagrada de Juno. Em Santa Bárbara foram identificadas quatro lucernas com a representação de pavões e três exem+lares de pavoas com pavõeszinhos (MAIA, 1997, 106 e 107). Ver os mosaicos de Chipre na Revista de Arqueologia nº 233.

 

75

Pomba

Vénus

Saturae, VI, 548-552

Juvenal

 

 

 

 

A pomba associada a um ramo de oliveira pode simbolizar a Paz ou a Vitória. Em Santa Bárbara foram identificadas cinco lucernas com a representação da pomba sobre um ramo de oliveira (MAIA, 1997, 108 e 109). As entranhas de pombas eram usualmente usadas pelos harúspices

 

76

Escorpião

Mitra e Diana

 

 

 

 

 

 

O escorpião foi o animal usado por Diana para matar Orion e aperece ligado ainda a Mitra, a quem auxilia no sacrifício do touro. Em Santa Bárbara foi identificado um fragmento de lucerna com a representação de um escorpião (MAIA, 1997, 112).

 

77

Palma

Vitória e Fortuna

 

 

 

 

 

 

As folhas de palmeira relacionam-se com a Vitória e com a Fortuna. eram atribuídas aos vencedores. Em Santa Bárbara foram identificadas inúmeras lucernas com a representação de palmas (MAIA, 1997, 119 e 120). De Torre de Ares provém ainda uma lucerna de finais dos imperadores flávios, onde no disco aparece representado um altar ladeado por duas palmeiras com duas cobras enroladas nelas (NOLEN, 1994, 43, lu.40). O Baixo relevo ornamental proveniente da Sé de Lisboa é um exemplo, entre tantos outros, da representação da videira e da palma na iconografia paleocristã e mocárabe («Lisboa Subterrânea, p. 233).

 

78

Frutos

 

Estrabão, III, 3. 5

 

 

 

 

 

 

Estrabão informa-nos que a

79

Ave

 

Estrabão, III, 4, 15

 

 

 

 

 

A observação do seu voo permite interpretar as vontades dos deuses, estando essa interpretação a cargo dos Áugures.

 

80

Mirto

Fauna

As Geórgicas, 1948, Lisboa, Sá da Costa. NH; Diosas y adivinas

Virgílio; Montero Herrero, Santiago

Sá da Costa; Editorial Trotta

Valladolid

1948; 1994

20; 21 Diosas y adivinas

Mulher de Fauno. Foi esquartejada pelo marido até à morte com varas de mirto por ter bebido vinho, proibido às mulheres por uma lei arcaica decretada por Numa.No entanto existe uma estreita vinculação entre o vinho e as práticad proféticas (Montero Herrero, p. 21). Nos processos de adivinhação oníricos, sonhar com mirto pode simbolizar a mulher corrupta (MONTERO HERRERO, Santiago, 1994, 203).Os ramos de Mirto coroam a Amizade.

 

81

Aipo

Adivinhas

 

Suetónio: Vespasiano; Montero Herrero

A vida dos doze Césares

 

1994

149

 

 

82

Trigo e espigas

Ísis; Deméter; Ceres

Las Religiones mistéricas en la España Romana

Bendala Gálan

Subdirección General de Arqueologia del Ministerio

Madrid

1981

 

O Verão aparece normalmente associado às espigas. Ver Mosaicos de Chipre. Revista de Arqueologia, nº 233.

 

83

Perdiz

 

Diosas y Adivinas

 

 

 

 

 

Nos processos de adivinhação oníricos, sonhar com perdizes pode simbolizar a mulher carente de princípios religiosos ou de piedade (MONTERO HERRERO, Santiago, 1994, 203).

 

 
Actualizado em ( 09-Oct-2007 )
 
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